O Abominável Homem das Neves…
por João Paulo Barbosa (joaofotobrasil@gmail.com)
Mesmo morando muito longe do Brasil, o Yeti (e sua lenda) também fazem parte de nosso imaginário. Afinal, vivemos rodeados de casos curiosos e não resolvidos. Talvez você já tenha ouvido falar no Yeti, mas agora é definitivo: aqui você conhecerá o Abominável Homem das Neves »»»
A lenda do Yeti é um dos grandes mistérios ainda não resolvidos no planeta. Apesar do apelido, supõe-se que ele seja gentil e tímido. Para os tibetanos o nome é Chemo. No Himalaia também é chamado de Mirka, Sogpa e Migo.
Inúmeras questões rondam a lenda do Yeti. Seria uma forma encontrada pelos tibetanos e sherpas (carregadores nepaleses) para promoverem o turismo no Himalaia? Talvez seja um tipo de miragem? Ou, o que muitos especulam, um sinal de alucinação individual ou coletivo, causado pelo ar rarefeito?
Nos EUA existe a lenda do Sasquatch ou Bigfoot (Pés Grandes), que habitaria as Montanhas Rochosas. E na cadeia montanhosa do Cáucaso, na Rússia, os camponeses falam muito de um tal de Almesty, na região de Betsho Pass. Por quanto tempo ainda viveremos imersos nessa lenda? Grandes estudiosos e alpinistas realizaram grandes esforços para aproximar o homem de uma espécie que, ou está em extinção ou existe aos milhares.
As primeiras aparições
Há indícios de que Alexandre, o Grande, teria ouvido lendas a respeito em 326 a.C. Rumores sobre o Yeti são conhecidos pelos ocidentais desde 1832, quando o primeiro inglês a viver no Nepal ouviu sobre uma criatura que se movia ereta e era coberta por um longo cabelo escuro.
A expressão “O Abominável Homem das Neves” é uma tradução do termo Metohkangmi, que significa homem da neve suja, e surgiu em 1921, quando um jornalista correspondente cobria a primeira expedição inglesa a explorar a região do Everest. Na ocasião, seis alpinistas e 26 sherpas (carregadores nepaleses) viram pegadas de um Yeti. Claramente não se tratava de traços de ursos, cabras ou leopardos da neve.
Durante a década de 50 houve mais expedições em busca do Yeti que para escalar novas montanhas. A mais conhecida prova da existência do Yeti apareceu nessa época, quando o alpinista Eric Shipton fotografou, no vale do Menlung, uma pegada gigante de um animal desconhecido.
John Hunt, líder da expedição conquistadora do monte Everest, em 1953, dedicou uma página de seu “The Ascent of Everest” ao Yeti. Três semanas antes de começarem definitivamente as primeiras investidas ao Everest, John Hunt, em companhia de Charles Wylie e Tenzing, visitou o monastério de Thyangboche. Lá escutara algumas histórias sobre o Yeti. Dentre elas, uma descrição convincente de como o Yeti apareceu a poucos anos atrás.
Movimentava-se ora em duas, ora em quatro patas, tinha 1,60m e pelagem cinza, ou seja, a mesma descrição que ouvira de outras testemunhas. O próprio lama chefe dos monastérios alertou Hunt de que o Yeti tinha sido visto no ano anterior, exatamente no local onde a sua expedição havia recém montado as barracas. Uma outra história ocorrida no Tibet, menos agradável, foi a de um massacre aos Yetis. O que resultou em um decreto governamental que deixaria os Yetis protegidos legalmente !
Anos mais tarde, em 1960, Edmund Hillary liderou uma expedição que tinha dois objetivos bem claros: a busca do Yeti e trabalhos cietíficos ligados à fisiologia do corpo humano em altitude. Em High in the Cold Air, Desmond Doig, integrante do grupo que procurou o Yeti, dedica metade do livro ao assunto. Nada foi encontrado.
O melhor alpinista do mundo e sua busca pelo Yeti
Lançado em março de 2000, “My quest for the Yeti: The Himalayas Deepest Mystery”, o 13o. livro de Reinhold Messner (primeiro alpinista a escalar o Everest sozinho e sem oxigênio suplementar) trata do tema. Afinal, ele passou a década de 90 indo de vila em vila no Himalaia em busca de pistas e depoimentos sobre a existência do Yeti.
É fato afirmar que a maioria das pessoas que “viu” o Yeti estava só. E que, basta sentir uma única vez a presença do Yeti para acreditá-lo eternamente. Como disse um tibetano a Messner: “Ninguém pode encontrar o Chemo. Mesmo se você procurá-lo desesperadamente, será em vão. Ele sempre aparece à noite e quando menos se espera”.
Enfim, não sabemos ao certo o que é o Yeti, apenas que ele existe. E existindo, deve ser inteligente para continuar com o seu próprio mistério. Caso contrário, alguém certamente tentará capturá-lo. O Yeti sabe o que faz!
O livro, muito bem escrito, é superficial quanto ao tema do Yeti. Enfoca mais a vida nos vales e montanhas do Himalaia e a invasão chinesa no Tibet. Messner esclarece, logo no início, que viu o Yeti quatro vezes. A primeira vez foi em 1986, no leste do Tibet, avistando-o a dez metros de distância.
O alpinista quase destruiu sua reputação quando disse que o filme que tinha usado para fotografar o Yeti foi estragado na revelação. Em outra oportunidade disse que o flash da câmera falhou, mesmo estando muito próximo do objeto fotografado. Disse ainda que tinha fotos de um esqueleto de Yeti e de uma Sun Yetini (mãe Yeti) cuidando de seu bebê.
Messner não teorizou nem pesquisou explicações sobrenaturais, místicas ou supersticiosas, concluindo que os moradores de vilas distantes, onde só se chega à pé, temem e crêem no Yeti. Perto das estradas o Yeti não passa de uma lenda.
Trechos:
“De repente, ele (o Yeti) acordou e nos viu. Nos olhou como uma criança que conhece alguém pela primeira vez. Olhamos cara a cara. Poderia tê-lo tocado. Tranqüilamente, ele levantou-se e foi embora”.
“Um encontro com o Yeti pode mudá-lo, tudo muda, inclusive a paisagem”.”Os tibetanos falam do Chemo (Yeti) como se fosse um animal do dia a dia”.
“Mesmo faltando uma prova clara, continuo convencido de que o Chemo e o Yeti são praticamente idênticos e bem diferentes de um urso comum”.”Todas as evidências apontam para um espécie de urso noturno, que corre, caminha e escala melhor que um homem”.
Características do Yeti
Nome: Abominável Homem das Neves, Chemo, Mirka, Sogpa, Migo.
Tamanho: Aproximadamente 1,98m de altura e 200 quilos (calculados pela profundidade das pegadas).
Pegadas: Entre 35 cm de largura por 50 cm de comprimento.
Habitat: 2.000 km quadrados ao redor do Everest (Himalaia), entre 2.500 e 3.600 metros de altitude.
Velocidade: Nativos do Himalaia dizem que o Yeti atinge 60km/h, o dobro de um velocista.
Estilo de vida: Vive em grupo de 30 indivíduos, alimenta-se de iaques (bois do Himalaia) e ovelhas e se comunica através de assobios.
Origem: Possivelmente um sobrevivente do Homem Neanderthal, que se deslocou para a Ásia Central há 38 mil anos atrás.
Pelagem: Preta, cinza ou marrom. Vermelha quando muito jovem.
Caráter: Amistoso, gentil e tímido.



